Fosfoetanolamina seria a cura do Câncer?



Nos últimos meses vem sendo amplamente divulgado que o Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP) teria desenvolvido um novo medicamento  que poderia ser usado no tratamento dos diferentes tipos de câncer em seres humanos. Este medicamento teria como principio ativo a Fosfoetanolamina.


Atualização 22/02/2017:

Anvisa suspende propaganda de suplemento com fosfoetanolamina
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu nesta terça-feira (21) propagandas de dois suplementos feitos à base de fosfoetanolamina, conhecida como "pílula do câncer", por alegarem propriedades terapêuticas e funcionais não comprovadas –o que é proibido no Brasil.
A medida atinge os produtos "Phospho 2-AEP imune system", da marca New Life, e "Phospho Ethanolamine", da marca Quality Medical Line, que é produzida pelo laboratório Federico Diaz.
Ambos os produtos vinham sendo anunciados como suplementos alimentares por meio de propagandas nas páginas das duas marcas no Facebook.
A Anvisa, porém, afirma que é proibida a divulgação de propriedades terapêuticas para estes produtos -o que dava a entender parte dos anúncios. "Ou seja, seu fabricante não pode alegar que cura uma determinada doença no seu rótulo, na sua caixa ou na sua propaganda", explica a agência, em nota.
Ainda de acordo com a Anvisa, "propagandas nas redes sociais que induzam o consumidor a crer que a fosfoetanolamina, como suplemento, combata o câncer –ou qualquer outra doença– e atribuam propriedades funcionais e/ou de saúde são irregulares".
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/02/1860652-anvisa-suspende-propaganda-de-suplemento-com-fosfoetanolamina.shtml



Atualização 17/02/2017:

Fosfoetanolamina como suplemento alimentar será distribuída no Norte
A "pílula do câncer", como ficou conhecida no Brasil, deve chegar ao mercado nacional no dia 16 de março, agora em forma de suplemento. O suplemento será produzido por uma empresa na Flórida, nos Estados Unidos e o laboratório Quality Medical Line. Nesta sexta (17), uma parceria foi firmada entre o laboratório e o Instituto Pro Vida de Manaus, que será responsável por fazer a distribuição no Amazonas e demais estados da região Norte. Apesar do Superior Tribunal Federal (STF) ter proibido a produção da pílula no país em maio de 2016, representantes da empresa responsável pela produção do composto afirmam que a importação para consumo individual não será considerada ilegal, devido a substância ser lançada, agora, como suplementação.
Fonte: http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2017/02/fosfoetanolamina-como-suplemento-alimentar-sera-distribuido-no-norte.html

Atualização 25/07/2016:

Testes clínicos com fosfoetanolamina começam nesta segunda-feira em SP
Início dos testes foi anunciado na semana passada em coletiva de imprensa. Dez pacientes receberão a substância para determinar segurança.                                                                                 Começam nesta segunda-feira (25), no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), os testes em humanos com fosfoetanolamina, o composto que ficou conhecido como "pílula do câncer". O anúncio do início dos testes foi feito na semana passada.
Nesta fase inicial, a substância será avaliada em 10 pacientes para determinar a segurança da dose. Se a droga não apresentar efeitos colaterais, a pesquisa seguirá em mais 200 pacientes - são 10 tipos de câncer diferentes incluídos nos testes, ou seja, 21 indivíduos com cada tipo da doença receberão três comprimidos da fosfoetanolamina. O anúncio foi feito pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).
Essa fase onde 210 pacientes participarão da pesquisa deverá durar cerca de seis meses. O início dos testes foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde.Se pelo menos três pacientes de cada um desses grupos de câncer apresentar uma melhora no quadro de saúde devido à pílula, o governo deverá liberar mais uma fase do estudo com a chamada de mais 80 indivíduos. No total, até mil pessoas poderão participar do processo. Toda a pesquisa deverá ser encerrada em dois anos.                                                  Caso nenhum dos 210 pacientes iniciais apresentar qualquer melhora ou sintoma, o estudo será encerrado no prazo estipulado de até seis meses.
Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/07/testes-clinicos-com-fosfoetanolamina-comecam-nesta-segunda-feira-em-sp.html


Atualização 19/05/2016:

Por 6 votos a 4, STF suspende lei que autoriza uso da 'pílula do câncer'.
Por 6 votos a 4, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (19) suspender uma lei, válida desde abril deste ano, que autorizou pacientes com câncer a fazer uso da fosfoetanolamina sintética, a chamada "pílula do câncer". No mesmo julgamento, os ministros mantiveram suspensas decisões judiciais que obrigavam o governo a fornecer a substância.Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2016/05/supremo-suspende-lei-que-autoriza-uso-da-pilula-do-cancer.html


Atualização 15/04/2016:

Fosfoetanolamina: Dilma sanciona lei que libera 'pílula do câncer'
Lei foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira.
Anvisa via com preocupação liberação sem garantia de eficácia e segurança.

Apesar de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ver com preocupação a liberação sem garantia de eficácia e segurança, a presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a lei que autoriza o uso da substância fosfoetanolamina sintética, apelidada de "pílula do câncer", por pacientes diagnosticados com tumores malignos.

 A sanção da lei número 13.269, de 13 de abril de 2016, foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (14). O artigo 1º destaca que "esta Lei autoriza o uso da substância fosfoetanolamina sintética por pacientes diagnosticados com neoplasia maligna".

O artigo 2º ressalta, porém, que só "poderão fazer uso da fosfoetanolamina sintética, por livre escolha", os pacientes que apresentarem "laudo médico que comprove o diagnóstico" e "assinatura de termo de consentimento e responsabilidade pelo paciente ou seu representante legal".
Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/para-evitar-desgaste-dilma-sanciona-lei-que-libera-pilula-do-cancer.html

Atualização 08/04/2016:

STF decide que USP pode suspender fornecimento de fosfoetanolamina
USP deve distribuir somente estoque já existente da 'pílula do câncer'.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, determinou que a Universidade de São Paulo (USP) deverá fornecer a fosfoetanolamina somente "enquanto remanescer o estoque" do composto.
Depois disso, o fornecimento poderá ser suspenso tendo como justificativa a ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a falta de estudos publicados sobre os benefícios de sua utilização na cura do câncer, a falta de estudos que atestem sua segurança e o desvio de finalidade da instituição de ensino. 
Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/04/stf-decide-que-usp-pode-suspender-fornecimento-de-fosfoetanolamina.html

Atualização 25/03/2016:

Anvisa vai recomendar que Dilma vete lei para liberação da fosfoetanolamina - Órgão vê com preocupação liberação sem garantia de eficácia e segurança. Desenvolvida na USP São Carlos, substância contra câncer está em testes.

Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, na quinta-feira (24), o presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, afirmou que vai encaminhar uma nota a Dilma recomendando o veto. A presidente tem 15 dias para decidir.
“Vai ser um medicamento que não tem lote, data de fabricação, quem fiscaliza para saber se é mesmo a substância ou alguma pessoa inescrupulosa está falsificando. Vai criar uma área de sombra onde seguramente a saúde de quem consome o produto não vai estar garantida”, afirmou Barbosa. Para a Anvisa, é perigoso distribuir para a população uma substância que não passou pelos testes que comprovem sua segurança. “Quando estiver sendo produzida, não de maneira improvisada, mas em uma fábrica que garanta a qualidade do produto, ela poderá ser candidata a uma análise para um uso compassivo. Não temos nada contra a fosfoetanolamina, queremos que seja tratada com seriedade como uma substância candidata a medicamento”, ressaltou.
Entidades médicas também se manifestaram contra o projeto de lei, como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a Sociedade Brasileria de Cancerologia (SBC), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB). Fonte: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2016/03/anvisa-vai-recomendar-que-dilma-vete-lei-para-liberacao-da-fosfoetanolamina.html




Atualização 23/03/2016:

Senado aprova projeto que libera uso e fabricação da 'pílula do câncer' - Desenvolvida pela USP, a fosfoetanolamina sintética ainda está em teste. Projeto agora vai para a sanção da presidente Dilma Rousseff.

O Senado aprovou nesta terça-feira (22), em votação simbólica, o projeto de lei que que permite a fabricação, distribuição e o uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer”. Como não houve alterações ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados, o projeto segue agora para a sanção presidencial.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/03/senado-aprova-projeto-que-libera-uso-e-fabricacao-da-pilula-do-cancer.html

Anvisa volta a criticar projeto de lei que libera 'pílula do câncer'
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou a criticar o projeto de lei 4639, que autoriza o uso, distribuição e fabricação da fosfoetanolamina sintética, conhecida como 'pílula do câncer'. Nesta terça-feira (22), o projeto foi aprovado no Senado e vai para a sanção da presidente Dilma Rousseff. Em nota divulgada nesta quarta-feira, a agência afirmou ver com preocupação a liberação de uma substância que não passou por testes que garantam sua segurança e eficácia "como é exigido pela Anvisa e por todas as agências reguladoras do mundo".
Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/03/anvisa-volta-criticar-projeto-de-lei-que-libera-pilula-do-cancer.html

Atualização 21/03/2016:

'Pílula do câncer' é reprovada em primeiro teste oficial-  Não foram animadores os primeiros resultados de testes independentes feitos com a chamada "pílula do câncer, desenvolvida por pesquisadores da USP de São Carlos. Segundo as análises, ela tem baixo grau de pureza e pouco ou nenhum efeito sobre células tumorais, com desempenho muito inferior ao de drogas anticâncer já disponíveis há décadas. Os resultados foram divulgados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que investiu em testes da "pílula do câncer" após pressão de pacientes que relatavam melhora após usar a droga.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/03/1752429-pilula-do-cancer-e-reprovada-em-primeiro-teste-oficial.shtml

Atualização 04/01/2016:

Instituto do Câncer de SP coordenará teste em humano da fosfoetanolamina


Instituto do Câncer de SP coordenará teste em humano da fosfoetanolamina Pílula foi entregue pela USP de São Carlos sem registro da Anvisa por anos. Equipe vai avaliar se a droga é segura e se há eficácia contra a doença. O Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp) vai coordenar a pesquisa para testar a substância fosfoetanolamina sintética no tratamento de pacientes com câncer. A substância nunca foi testada em humanos, mas foi distribuída durante anos pela USP de São Carlos. Atualmente, a distribuição está suspensa por decisão judicial. A previsão é que, no prazo de seis meses, os pesquisadores tenham uma ideia da eficácia da droga. Segundo informou o SPTV, ainda não há data para o início dos estudos porque ainda será necessário um consenso da Secretaria Estadual da Saúde, Ministério da Saúde e os pesquisadores da USP de São Carlos, que vão repassar detalhes da fórmula da substância. A escolha dos pacientes que vão participar dos testes vai depender de critérios técnicos, definidos pelo instituto.


Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/12/instituto-do-cancer-de-sp-coordenara-teste-em-humano-da-fosfoetanolamina.html


Entenda o Caso

A  Fosfoetanolamina passou a ser conhecida do grande público quando o professor aposentado Gilberto Chierice deu entrevista ao portal G1 afirmando que teria conseguido desenvolver uma substância que poderia curar o câncer mas que tal medicamento não teria chegado ao mercado por má vontade das autoridades .

Durante a entrevista o citado professor chega até a afirmar de modo categórico:

"A Fosfoetanolamina está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer”. Gilberto Chierice

Confira a entrevista na íntegra:

EPTV - Como ela age no organismo?
Essa substância nós mesmos fabricamos dentro das células de músculo longo e no fígado, no retículo endoplasmático. Então, não podemos chamar de produto natural porque é sintetizado, mas o seu organismo já fabrica com o mesmo propósito: defender você durante todo o tempo da sua vida de células que se diferenciam.
EPTV - Na prática, essa substância reforça a que a gente já tem? Como ela age na célula cancerosa?
Primeiro, ela passa do trato digestivo para o sistema sanguíneo, vai até o fígado e forma uma reação junto com o ácido graxo. O que é esse ácido graxo? É a substância que vai alimentar o tumor. É a energia do tumor. E ela entra junto com essa substância dentro da célula. Quando ela entra, essa célula está relativamente parada, ou seja, a organela principal dela, chamada mitocôndria, está parada. Ela obriga a mitocôndria a trabalhar e, quando ela obriga, ela se denuncia para o sistema imunológico e a célula é liquidada, é a chamada apoptose (veja o processo no vídeo abaixo).
 EPTV - A eficácia da substância foi mais evidente em algum tipo de tumor?
Os tumores têm células parecidas no seu mecanismo, chamadas de anaeróbicas. Células de tumor anaeróbico, todas elas cediam pela ação da fosfoamina.
EPTV - Não houve um tipo de tumor em que a eficácia foi maior?
Não é possível fazer essa medida porque, primeiro, nós não somos médicos. Teria que ter uma parceria com o médico para ele mostrar a eficácia de cada um. Isso nunca foi feito.


EPTV - Tem alguma contraindicação? A cápsula tem que ser ingerida antes de a pessoa fazer quimioterapia?
Não existe “antes” porque ela não funciona como coadjuvante. Se você detona o sistema imunológico da pessoa, os resultados não são bons porque a ação da fosfoamina necessita que o sistema imunológico esteja intacto. Se existir uma quimioterapia que não destrói o sistema imunológico, perfeito, pode ser combinado.
EPTV - O senhor tem uma ideia de quantas pessoas foram beneficiadas por essa substância nos últimos 20 anos?
Nos últimos tempos nós fazíamos cerca de 50 mil cápsulas por mês. Isso equivale, a 60 cada pessoa, a 800 pessoas ou próximo de mil pessoas por mês. Agora quantas pessoas foram beneficiadas eu não sou capaz de dizer porque muitas delas, que eram pacientes terminais, estão aí, vivas. Então não sei dizer quantas pessoas foram curadas.
EPTV - O senhor publicou esse estudo em diversas revistas científicas. Quantas no total?
Hoje eu suponho que há de nove a dez trabalhos nas melhores revistas de oncologia do mundo, que são revistas internacionais, junto com o pessoal do [Instituto] Butantan, e explicam o mecanismo de ação da fosfoamina.
EPTV - Houve interesse de outro país nessa fórmula. O que pode acontecer?
Nós podemos ter que comprar esse medicamento a custo de mercado internacional porque já está começando a aborrecer ficar todo esse tempo tentando e não conseguir, criam dificuldades que eu não sei explicar. Eu sou um homem de ciência de 25 anos, eu não sou nenhum amador e, por não ser amador, eu conheço os trâmites das coisas, como funciona. Se não for possível aqui, a melhor coisa é outro país fazer porque beneficiar pessoas não é por bandeira. A humanidade precisa de alguém que faça alguma coisa para curar os seus males.
EPTV - A cura do câncer existe?
Não só pela fosfoamina, deve existir por uma dezena de outras coisas, mas a fosfoamina está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer. 
EPTV - E por que a aprovação está demorando tanto? Por que a Anvisa está demorando tanto para liberar?
A razão é muito simples: eu acho que existe uma má vontade. Porque, se existisse boa vontade, isso já tinha sido aplicado em hospitais do governo, como dados experimentais, fase I, fase II, fase III, tudo isso já está pronto. Agora o que falta é dentro das normas da lei, os dados clínicos, assim me disseram na Anvisa todo esse tempo. Eu acho que existe uma má vontade.
EPTV - E, enquanto essa "má vontade" continuar, muita gente com a doença, e a cura está mais próxima do que muita gente imagina, não é?
É, eu penso que sim. A cura está bem mais perto. E se dissessem ainda que falta aprimorar alguma coisa, teria que ser aprimorado daqui para frente, não daqui para trás. Daqui para trás está tudo pronto.
EPTV - Essa substância é a cura do câncer?
Eu acredito que sim, eu acredito que sim. Não só essa como um monte delas que poderiam vir de derivados.

Como funcionaria


A Fosfoetanolamina imitaria uma substância presente no organismo e sinalizaria as células cancerosas para a remoção pelo sistema imunológico, e segundo o professor aposentado, com a ingestão das cápsulas, as células cancerosas seriam mortas e o tumor desapareceria entre seis a oito meses de tratamento, dependendo de acordo a resposta de cada sistema imunológico.

Repercussão


Segundo o próprio G1, vários pacientes  com câncer brigam na Justiça para que a Universidade de São Paulo (USP) forneça cápsulas de fosfoetanolamina sintética.

Segundo usuários, familiares e advogados, a substância experimental produzida no campus de São Carlos (SP) acumula resultados satisfatórios no combate à doença, inclusive com relatos de cura, mas não possui registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, por isso, só está sendo entregue por decisão judicial.

A USP divulgou o seguinte comunicado:

ESCLARECIMENTOS À SOCIEDADE
Considerando a repercussão de notícias vinculadas na imprensa sobre a distribuição de fosfoetanolamina para fins medicamentosos no tratamento de câncer pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP), vimos a público apresentar os seguintes esclarecimentos:
A substância fosfoetanolamina foi estudada de forma independente pelo Prof. Dr. Gilberto Orivaldo Chierice, outrora ligado ao Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros e já aposentado. Esses estudos independentes envolveram a metodologia de síntese da substância e contaram com a participação de outras pessoas, inclusive pessoas que não têm vínculo com a Universidade de São Paulo.
Chegou ao conhecimento do IQSC que algumas pessoas tiveram acesso à fosfoetanolamina produzida pelo citado docente (e por ele doada, em ato oriundo de decisão pessoal) e a utilizaram para fins medicamentosos.
Em vista da necessidade de se observar o que dispõe a legislação federal (lei no 6.360, de 23/09/1976 e regulamentações) sobre drogas com a finalidade medicamentosa ou sanitária, medicamentos, insumos farmacêuticos e seus correlatos, foi editada em junho de 2014 a Portaria IQSC 1389/2014 (clique aqui para ver a Portaria), que determina que tais tipos de substâncias só poderão ser produzidas e distribuídas pelos pesquisadores do IQSC mediante a prévia apresentação das devidas licenças e registros expedidos pelos órgãos competentes determinados na legislação (Ministério da Saúde e ANVISA).
A Portaria IQSC 1389/2014 não trata especificamente da fosfoetanolamina, mas sim de todas e quaisquer substâncias de caráter medicamentoso produzidas no IQSC. Essa Portaria apenas enfatiza a necessidade de cumprimento da legislação federal e não estabelece exigências ou condições adicionais àquelas já determinadas na lei.
Desde a edição da citada Portaria, o Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros não apresentou as licenças e registros que permitam a produção da fosfoetanolamina para fins medicamentosos. Sendo assim, a distribuição dessa substância fere a legislação federal.
A Universidade de São Paulo, ademais, não possui o acesso aos elementos técnico-científicos necessários para a produção da substância, cujo conhecimento é restrito ao docente aposentado e à sua equipe e é protegido por patentes (PI 0800463-3 e PI 0800460-9).
Cabe ressaltar que o IQSC não dispõe de dados sobre a eficácia da fosfoetanolamina no tratamento dos diferentes tipos de câncer em seres humanos – até porque não temos conhecimento da existência de controle clínico das pessoas que consumiram a substância – e não dispõe de médico para orientar e prescrever a utilização da referida substância. Em caráter excepcional, o IQSC está produzindo e fornecendo a fosfoetanolamina em atendimento a demandas judiciais individuais. Ainda que a entrega seja realizada por demanda judicial, ela não é acompanhada de bula ou informações sobre eventuais contraindicações e efeitos colaterais.
Destaca-se também que a Portaria IQSC 1389/2014 não proíbe a realização de pesquisas em laboratório com a fosfoetanolamina ou com qualquer outra substância com potencial propriedade medicamentosa, sendo que quando as pesquisas envolverem estudos em animais ou seres humanos deve ser observada a respectiva legislação federal, como a Resolução no 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
O Instituto de Química de São Carlos lamenta quaisquer inconvenientes causados às pessoas que pretendiam fazer uso da fosfoetanolamina com finalidade medicamentosa. Porém o IQSC não pode se abster do cumprimento da legislação brasileira e de cuidar para que os frutos das pesquisas aqui realizadas cheguem à sociedade na forma de produtos comprovadamente seguros e eficazes.

Perguntas frequentes


Como posso conseguir a fosfoetanolamina?
O IQSC não distribui a fosfoetanolamina, porque a USP não assumiu a titularidade das pesquisas realizadas pelo Prof. Gilberto e não tem qualquer controle a respeito disso. Cabe ao próprio Prof. Gilberto informar quais são os meios adequados à obtenção do medicamento.

Eu já tenho a liminar. Posso ir no IQSC buscar a fosfoetanolamina?
Não. O IQSC será notificado da liminar através do oficial de justiça e encaminhará a substância via sedex/AR no endereço constante na petição inicial. O serviço do correio será cobrado do destinatário.

A fosfoetanolamina vem acompanhada de bula?
Ainda que a entrega seja realizada por demanda judicial, ela não é acompanhada de bula ou informações sobre eventuais contraindicações e efeitos colaterais.

Como devo tomar a substância?
O IQSC não dispõe de médico e não pode orientar e nem prescrever a utilização da referida substância.

Como posso saber para quais tipos de tumores a fosfoetanolamina é indicada?
O IQSC não dispõe de dados sobre a eficácia da fosfoetanolamina no tratamento dos diferentes tipos de câncer em seres humanos.

Com quem posso falar no IQSC a respeito da fosfoetanolamina?
Com a aposentadoria do Prof. Gilberto Chierice não há pessoas no IQSC que possam dar informações sobre o uso da fosfoetanolamina no tratamento de câncer. Os funcionários do IQSC não possuem nenhuma informação sobre a fosfoetanolamina.

Posso falar diretamente com o Sr. Salvador?
O Sr. Salvador não possui ramal telefônico no IQSC.




Considerações Finais


Realmente existe uma substância denominada fosfoamina, e ela foi objeto de um estudo onde foi verificado sua eficácia como opção de tratamento para vários tipos de câncer, porém ainda faltariam muitas etapas posteriores a este estudo preliminar(controle de testes em humanos e respectivos dados clínicos por exemplo) até que se chegue a uma conclusão final sobre a eficácia da substância e posterior fabricação em massa do futuro medicamento.

Em resumo ainda não é possível afirmar que a Fosfoetanolamina é a cura do câncer.

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